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Encontro de mestres

Já estava marcado, um novo batizado de Capoeira. Todos do grupo se encontrariam em um grande evento em São Paulo e muitos amigos viriam de outras cidades. Os grandes mestres estariam também reunidos para avaliar todos os alunos onde seriam feitas as graduações. Aluno somente troca de cordão, sendo derrubado por mestres.
Um salão enorme estava enfeitado com flores e todos os instrumentos já estavam devidamente arrumados e os capoeiras prontos para tocar, aguardando a chegada do grande mestre. Todos os demais alunos ficariam do lado de fora do salão e numa fila enorme os capoeiristas arrumavam os seus abadás, a sua roupa branca com o símbolo da escola, um lenço branco, sendo que as crianças entrariam primeiro.
Começam os atabaques a serem tocados. Os mestres convidados já estavam aguardando sob o comando do grande mestre. Uma voz forte ecoa por todo o salão:
_ Iêêê!! Axé para todos os capoeiras!
_ Iêêê!! Axé para todos os mestres!
As crianças começam a entrar e todos se posicionavam em filas devidamente arrumadas de fronte aos mestres, os atabaques.
O grande mestre levanta a sua mão e os atabaques silenciaram.
_ Salve capoeira! Salve capoeira Angola! Salve a capoeira Regional!
_ Salve Mestre Bimba e salve mestre Pastinha!
Neste instante todos os lenços brancos dos capoeiras estavam sendo levantados em sinal de respeito, em reverência à paz, justiça, na luta por grandes mestres pela sua arte, sua cultura, afro-brasileira e um canto lindo da capoeira começa a ser entoado.
A roda em seguida estava pronta. De um lado alguns alunos e do outro os mestres. Os nomes seriam chamados e um a um confrontando com seus mestres. Eu não queria cair rápido, queria resistir e ganhar o meu primeiro cordão com raça e ginga e certamente eu não teria medo daquele mestre.
O meu nome foi chamado. Aos pés do berimbau e do atabaque, cumprimentei o mestre e o jogo iniciou, olho no olho e como era regional eu deveria atacar de forma precisa, mas sem encostar nele. O martelo voador deveria passar próximo da sua cabeça e voltando num movimento rápido, uma rasteira, uma chapa pulada, uma benção, uma queixada, movimentos feitos entre paradas de mão, armada, pião de mão e uma tesoura? _ Não!! Eu não ousaria dar uma tesoura no mestre, movimento que com as minhas pernas eu o derrubo ao chão. _ Não!! Ele sim me derrubaria mas como? E continuei gingando e no ataque e na defesa e entre a negativa e o gancho e com uma chibata, eu estava no chão. O mestre estendeu a sua mão ,levantando-me e assim ganhei a minha primeira graduação e todos que estavam ali presentes estariam certamente enfrentando com coragem seus mestres e mostrando a lição aprendida durante todos os dias de ginga e canto e harmonia em suas escolas. Depois vieram outras graduações, outros confrontos.
As cores eram diversas dos cordões que estavam sendo amarrados na cintura dos capoeiristas e estes entregando para seus padrinhos uma rosa em sinal de agradecimento.

Regina Rocha

***

Pastor Alemão

Bill, um pastor alemão forte, com porte lindo, cão de guarda, adorava passear e tomar banho em baixo de uma árvore Acácia e depois ficava brincando feliz secando seus pelos ao sol.
À noite ele ficava de prontidão, atento a qualquer barulho e ninguém ousava chegar próximo do muro da casa. Sempre usando uma guia quando ele se afastava da casa pelo campo eu o chamava e por instantes ele olhava ao redor querendo brincar mais e me olhava sabendo que deveria obedecer e vinha correndo para a sua casa ficar junto a mim.
Uma casa quando recebe muitas crianças certamente no ar tem cheiro de doce, bolo, tem brinquedos e amor e um dia, Bill ao ver e a entrada de muitas crianças, ficou apreensivo ao ver aquela movimentação toda, escapou do canil e avançou sobre um menino franzino e todos começaram a gritar. No mesmo instante peguei a minha guia e vi o menino o segurando corajosamente em seu peito, como se dissesse: _ Não me machuque! E olhando bem firme o enfrentou. Eu gritei: _ Bill! solta agora! vem junto a mim! E apontando próximo aos meus pés, ele já estava, onde o peguei e o devolvi ao canil. Em seguida peguei meu carro e levei a criança no hospital, sendo que houve um arranhão e o susto do menino corajoso, tendo eu o levado também até a sua casa para esclarecer o ocorrido a sua mãe que não ficou nenhum instante alarmada, educadamente compreendeu a situação e o seu filho estava bem.
Depois deste fato, o Bill teria perdido um dos seus melhores amigos, aquele que com alegria andava com ele nos finais de semana e o levava para passear e começou a ficar mais agitado e nervoso. Eu, percebendo a mudança do comportamento dele, não deixava crianças facilmente na casa, ficava sempre atenta ao receber visitas. Procurei na cidade adestradores e ninguém se prontificou a cuidar dele, nem com o melhor pagamento, ninguém com sensibilidade o bastante queria levá-lo para passear. Foi quando eu chamei uma veterinária e pedindo ajuda resolvi doá-lo. Sim, doá-lo, porque eu colocava comida para ele todos os dias e ele sempre estava agradecido e sempre me protegia, mas um dia ele rosnou para mim e percebi que ele estava chorando, ele estava doente e eu não podia mais cuidar dele. Eu estava sem forças e se ele pulasse em mim, talvez eu não teria a mesma força e coragem que o menino franzino, quando o enfrentou.
Telefonei para a veterinária pedindo ajuda. Ela mandou um carro com quatro homens para buscar o Bill, mas nenhum entrou na casa, ninguém conseguiu dominar o cachorro que estava pressentindo a separação. Eu cheguei então até o canil, sozinha e com a minha guia o peguei e com força fui praticamente quase arrastada até o carro e naquela agitação ainda nenhum homem o pegou, foi quando eu soltei a guia e com muito custo dominaram o Bill.
O amarraram fortemente e numa despedida, eu preferi deixá-lo em mãos de pessoas experientes, onde ele só queria tomar mais um banho gostoso e se secar ao sol.
Cachorro valente que guardou-me muitos dias, meu pastor alemão.

Regina Rocha

***

Dedicação à Capoeira

De todos os mestres de capoeira que eu já tive, dois deles demonstraram plena dedicação e amor para as crianças por saber dividir bem o seu tempo entre família, trabalho e dar atenção para as crianças carentes que não podem pagar uma academia e participar de outros cursos que desejam.
O primeiro mestre a que me refiro demonstrou-me exímio cuidado com a parte musical, apresentando-se com seu estilo Regional e exemplarmente com o jogo de Angola, pois não somente basta os exercícios físicos estarem perfeitos, mas o conjunto tem que ser muito bom, é preciso jogar com agilidade no Regional e de forma mais lenta na ginga de Angola, sendo que com movimentos lentos, permitem ter um jogo muito bonito, com o complemento da ladainha. A música entoada é fundamental e o estímulo para o aprendizado para tocar os instrumentos. Uma criança quando aprende a cantar, ou tocar um instrumento musical, atabaque, pandeiro, berimbau, beneficia o seu desenvolvimento escolar, pois trabalha a parte da comunicação e o social, fazendo ela interagir mais, tendo bons resultados assim.
A outra com estilo Regional, uma mestra, que convidou-me para ajudar num projeto social muito bonito, fazendo-me ficar muito interessada, mas eu teria que dividir muito bem o meu tempo, pois o lugar onde seriam as aulas era em outra cidade e se compromenter assim, tem de ser com muita responsabilidade, sendo que estou falando de crianças, que esperam ansiosos pelo seu professor, dispostos a aprender e por querer simplesmente brincar.
Aceitando o convite, organizei tudo e também gosto de participar levando os meus instrumentos para ajudar na aula. Naquela cidade gostava do trabalho de outros clubes mais estruturados, mas também poder estar junto ao simples é recompensador, sendo que, o lugar marcado com a mestra era bem mais distante, então, costumava sair bem mais cedo da minha casa para encontrar com os alunos à noite.
Certamente, tudo isso me fascina pois ver uma criança sorrir é um presente e poder cantar junto com elas, é gratificante. Um dia uma menina chegou para mim, convidou-me para a sua primeira comunhão e disse que ficaria muito feliz com a minha presença. Eu não resisti e atendendo o seu pedido, num final de semana, fui ao seu encontro. Conheci os seus pais, sua família e eu estava naquele dia, tirando fotos com outras pessoas amigas e fazendo uma menina sorrir. Voltei para casa feliz, depois de ter pego no caminho uma chuva forte, mas com a certeza do meu dever cumprido, pois gosto de visitar a parte carente da cidade que estou morando. Procuro saber das crianças e dos mais velhos e participar de alguma forma. Acredito que, se todos em suas cidades contribuíssem com alguma instituição mais próxima, muita dor seria amenizada, muitas crianças sorririam mais e muitos dos mais velhos estariam mais aquecidos com novos agasalhos, voltando a sorrir, ou mesmo, apenas levando um pouco de atenção e carinho para os desfavorecidos, pisando num lugar assim, com certeza você já contribui com a sua energia e com sua presença.
Certa vez, pude ver um professor, numa outra academia e este mesmo não trabalhava de forma exemplar, tratando as crianças rudemente e com indiferença para os carentes, sendo que mostrar disciplina, não precisa de forma nenhuma apresentar rudeza. O tratamento para com todos os alunos, deve ser igual, pois ser capoeira não é somente demonstrar um belo condicionamento físico, mas também demonstrar educação e respeito.

Regina Rocha

***

Análise

Numa determinada hora você descobre que a morte pode chegar de forma inesperada para os seus amigos, família e que exatamente podemos não estarmos preparados para enfrentar isso.
Conheci uma mulher muito simpática, uma psicóloga, que havia feito um pedido de uma peça decorativa para a sua casa e ainda naquele período eu tinha lindas peças de paisagismo criadas pelo meu marido escultor, sendo que agora o trabalho esta mais direcionado com outro estilo, outro segmento, tendo no comando outro talentoso escultor . É claro que eu estava interessada em atendê-la muito bem e providenciei para que fosse atendida rapidamente, mas o fato dela ser psicóloga chamou a minha atenção.
Definitivamente eu estava ainda muito atordoada com a perda do meu marido e tinha que dar continuidade em tudo na minha vida, então decidi marcar uma consulta. Queria saber o que ela entendia sobre a morte, o que ela poderia me dizer sobre isso, que quando de repente uma pessoa escorrega bate a cabeça e pronto, vai embora, ou leva um susto horrível ou morre afogado ao salvar um menino. Quem avaliaria quem? Nunca eu tinha marcado consulta para nada disso, então resolvi verificar como seria estar falando da minha vida para a doutora.
Estava aguardando para ser chamada no seu consultório e sentindo-me um pouco tensa, pois eu ficava olhando as outras pessoas e no mesmo instante a secretária e a porta, porque eu já estava quase indo embora, mas logo fui chamada. A doutora cumprimentou-me muito sorridente e imensamente afetuosa e ao adentrar a sala, nos sentamos e uma olhando para outra, ela falou:
_ Você esta aqui nesse momento, então qual é o motivo que trouxe você até mim. O que você deseja falar.
_ O motivo exato é que eu quero falar e entender o porque as pessoas morrem. Porque que você passa ao lado de uma pessoa um bom tempo e depois a pessoa some, viaja? perde o contato? escapa? morre?!
_ Fale-me mais.
_ Falar o que doutora, que eu tive que doar o meu cachorro? Tenho que falar o porque também que o meu avô um dia morreu? Meu avô costumava visitar-me não muito frequentemente, mais quando vinha era uma alegria, pois ele adorava escrever e apreciava muito ler as minhas estórias e trocáva-mos livros e cartas. Ele ficou durante um tempo na Itália, com a minha tia e escreveu um livro por lá, aproveitando os encantos do lugar para preparar a sua impecável escrita. Este mesmo livro ele presenteou-me depois e também com vários de seus escritos. Numa noite eu tive um sonho, imagens vinham meio que distorcidas, mas era o meu avô que estava no sonho e eu não sabia qual o significado, pois às vezes lembramos de sonhos perfeitamente, como que em outras vezes apenas poucas imagens são lembradas. Foi quando que no mesmo dia, fiquei sabendo que ele tinha falecido.
_ O que você sente diante disto?
_ Sinto que sou forte e que a sua dor, ninguém pode senti-la por você,a não ser, você mesmo. Tem que saber estar firme diante do inesperado, da adversidade e encarar de frente tudo com presença de espírito e saber que é apenas mais uma lição a ser aprendida. Eu estava na estrada em viagem de uma cidade para outra, cuidando das documentações necessárias para o enterro do meu marido, pois morreu numa cidade distante da sua e somente eu poderia resolver algumas coisas. Eu não podia dirigir naquele momento e precisei de uma motorista particular. Chorava o tempo todo e ficava quieta. O motorista também não falava nada, respeitando a minha dor. No mesmo carro, como eu precisava estar logo em outra cidade, fiquei sabendo que seria também transportada uma moça que morrera no mesmo dia. Eu não me importei, pois estava praticamente em transe, parecia que tinha levado uma pancada forte na cabeça. No caminho, estava eu sentada no banco da frente do carro, junto do motorista e a moça morta atrás. Ela seria entregue num cemitério próximo. Na estrada o tempo todo eu sentia fortes dores nas costas, como se alguém tivesse me espetando. Eu não tinha dor assim, nem fazendo exercícios pesados no meu esporte. Paramos por um momento num lugar e já era noite. O rapaz desceu do carro, tirou-a e eu fiquei sozinha esperando, naquele ambiente tétrico e assustador. Fiquei observando tudo, apenas tentando entender o sentido real das coisas, sendo que a moça não tinha ninguém por ela ali presente, nenhuma família estava sabendo do ocorrido e o que pude fazer para ajudar era ficar em silêncio e fazer uma oração. A viagem continuou, exaustiva percorrendo cidades, para entregar depois a mim e que logo estaríamos em minha casa.
A doutora com certeza já ouviu muita coisa, já estava acostumada com as piores lamúrias do ser humano e disse:
_ Uma hora você precisará tirar a aliança.
_ Que! A minha aliança? Não tiro!! Imagina tirar a aliança…Não!
_ E vai precisar também mudar o seu quarto.
_ Doutora…eu não quero mudar nada agora…
Sabendo muito bem como findar a conversa a médica olhando para o seu relógio falou:
_ O seu tempo querida, acabou.
Pensamentos mil invadiram a minha cabeça, é como ela estivesse sendo sacudida e eu estava tonta.
_ Pode deixar!! Muito gentil doutora e obrigada.
Fui para casa. Fiquei um bom tempo olhando para as minhas mãos e para o meu quarto. Não me contendo, como se tivesse um nó na garganta, falei sozinha:
_ Se ela quer que eu tire essa aliança, então eu tiro! pronto!
Fiquei olhando para o meu dedo que ficou marcado. Guardei a aliança e não coloquei mais e não voltei mais ao consultório, pois achei que ela não me explicou nada sobre a morte.
Um outo dia, ao abrir um livro muito interessante, obtive respostas, de que estamos aqui cumprindo uma missão, durante um determinado tempo e que este é demasiado precioso, não podendo ser disperdiçado com coisas insignificantes e sim com elementos que te fazem sempre prosperar e crescer. Sábio é aquele que sabe dividir bem o seu tempo entre trabalho, estudos, relacionamentos, família, espiritualidade e referente a estes elementos anseio para que estejam devidamente harmonizados e quanto ao crescimento é a respota de cada dia de aprendizado nesta vida.

Regina Rocha.

***

Casa de Campo

Como Paulistana, não tinha o costume de viajar para o interior da cidade. Sabia apenas do meu trabalho, estudos, família e tinha completa aversão de viajar para essas cidades, muito verde, mas um dia isso mudou.
Nós Conhecemos um rapaz, amigo da família que tinha verdadeira paixão por cavalos e todas às vezes que ele visitava a família falava do seu cavalo que ele guardava em um Haras muito bonito, na cidade linda chamada Sorocaba.
Quando ele chegava com toda a família reunida eu não compreendia a sintonia daquelas músicas que ele escutava, Almir Sater! Ele passava a semana toda trabalhando e nos finais de semana corria para ver seu cavalo, um belo animal de cor castanha e um dia convidou a todos para vê-lo e que pudéssemos ter uma tarde agradável, conversando com os amigos.
No caminho para o Haras já podíamos notar o ar diferente, mais puro e as belas paisagens que encantavam os olhos. Ao chegar pude presenciar completo carinho e atenção para com os animais, crianças aprendendo a cavalgar com a presença de profissionais competentes, espaços com rico paisagismo e lugares convidativos para uma conversa com amigos, permitindo-me assim ter um maior contato nesse ambiente que desde então eu desconhecia. Com essa amizade precisamente, algo mudou inteiramente em mim, fazendo eu me apaixonar pelo campo e a observar a vida de pessoas afastadas das grandes cidades como São Paulo.
Depois os amigos se encontravam novamente, só que desta vez foi na minha casa, construída no interior e praticamente entre as festas do final de ano, estavam sendo tocadas as músicas dele, que agora seriam também minhas músicas, porque ele me ensinou a valorizar os ritmos regionais que há na cidade e que igualmente são lindos, pois aprecio músicas diversas. Outros amigos também eram recebidos com muita festa.
É muito gratificante morar na cidade de São Paulo e depois também ir cuidar da sua casa de campo, com pessoas amigas que cuidam da jardinagem, como um senhor muito simpático, já com idade avançada, mas com plena disposição para o trabalho e sempre apresentando um sorriso no rosto e vontade de trabalhar, é lindo de ver essa riqueza em seu olhar. Uma outra amiga ao cuidar da limpeza da casa, das minhas coisas, dos pequenos detalhes, das minhas cortinas, feitas por mim ou de cada flor no jardim e todas as mudas plantadas.
Tem certas coisas que os verdadeiros amigos nos deixam para sempre, que são as marcas dos sorrisos de expressões em sua face, em cada sorriso uma expressão linda, isso nenhum inimigo pode tirar, pois aqueles momentos estão marcados para sempre e é exatamente a soma de todas as alegrias da sua vida é o que podemos chamar de felicidade…:D

Regina Rocha

***

Jovem Talento

_ Papai! Olhe o que eu fiz!
_ O quê meu filho? Porque você pegou o meu rádio despertador?
_ Eu acabei de montá-lo, papai! 🙂
_ Montá-lo? Menino! Eu já não disse para você não mexer nas coisas do papai!
O menino com os seus sete anos de idade gostava de estudar eletrônica, ficava pegando os aparelhos do seu pai, para desmontar e montá-los novamente e gostava de ler muito sobre esse assunto, aprendendo cada vez mais.
Logo teve interesse pelos computadores e desde cedo continuava se atualizando e resolvendo pequenos problemas técnicos de manutenção. Foi quando a sua mãe resolveu colocá-lo aos doze anos, em uma escola que lhe ensinasse com segurança para trabalhar com computadores, já iniciando um curso profissionalizante.
Certo dia, ela saiu com seu filho, mostrando-lhe o caminho da escola e ensinou-lhe diversas vezes,sendo que uma vez deixou que ele seguisse o caminho sozinho. O filho pegaria o ônibus à tarde, iria até a escola e ao retornar a mãe o estaria esperando na parada de ônibus.
_ Filho! Faça exatamente como a mãe lhe ensinou. Vá para a escola, preste atenção em seus professores, não tenha medo de errar, pergunte se tiver dúvidas, preste atenção também na saída e ao retornar, quando pegar o ônibus, eu estarei te esperando na parada de ônibus, conforme combinado.
O horário da aula era à tarde. O menino saia após o almoço e retornaria no final da tarde, onde estava acostumado a discutir assuntos técnicos com pessoas com idade mais avançada que a dele, com professores e ele não se intimidava de ser o menor da classe.
Ele participou da aula, fez as lições, pegou a sua apostila e retornou para casa, pegando o ônibus com tranquilidade.
A mãe, na parada de ônibus já estava aflita, pois o filho não aparecia logo. Chegou o primeiro ônibus, desceram os passageiros e nada!
_ Senhor meu Deus! Onde está o meu filho? Eu estou certa meu Deus! Eu estou certa que devo ensinar-lhe cedo o caminho do estudo e trabalho!
O segundo ônibus! Os passageiros desciam lentamente, mas, nem sinal do seu filho.
_ Senhor Deus!
A primeira lágrima no rosto de mãe, o coração apertado.
O terceiro ônibus e entre os passageiros, estava o menino, já vindo sorridente encontrar a sua mãe.
_ Filho!
_ Senhor Deus…obrigada!
_ Como foi a sua aula? Você teve alguma dificuldade?
_ A aula foi ótima mãe, eu desmontei um computador e me ensinaram a usar as ferramentas corretas e como trabalhar com segurança e o professor conversou muito comigo.
A mãe que então estava aflita, sentiu gratidão, por seu filho parecer tanto com seu pai, com espírito criativo, era escultor e cedo já saia para o trabalho, e com seu avô, engenheiro eletrônico, que conversava frequentemente sobre peças com seu neto , com sua mãe que ficava digitando textos em frente ao computador em seu trabalho, quando já o sentia mexer em sua barriga, já louco para nascer e « brincar » com os seus computadores.
Hoje, esse menino é um jovem empreendedor, dinâmico, talentoso, cheio de idéias e adora inventar.
Meu filho maravilhoso…J. Willians.

Regina Rocha

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